Restauro do Armazém Ferroviário de São Carlos: Veja projeto e novos usos

O restauro do Armazém Ferroviário de São Carlos vai transformar o histórico “Barracão” de 1884 em um polo cultural e educativo. A iniciativa da Fundação Pró-Memória com a Forlight Arquitetura devolverá o espaço preservado à comunidade.

O icônico Armazém Ferroviário da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, construído em 1884 para o escoamento da produção de café, passará por um processo completo de restauro e readequação funcional.

Desocupado desde o ano 2000, o imóvel sofreu com a degradação do tempo, acumulando goteiras, madeiras apodrecidas, estruturas metálicas oxidadas e danos severos no piso. O projeto de recuperação, já aprovado pelo Governo do Estado de São Paulo e sob coordenação da Fundação Pró-Memória de São Carlos, visa estancar essa perda patrimonial e reabrir as portas do imóvel para a população.

A primeira etapa dos trabalhos começou em 16 de maio de 2026, com o levantamento digital da estrutura através de escaneamento a laser e fotogrametria por drone, gerando um “gêmeo digital” de precisão milimétrica para embasar as obras.

O imóvel fica no complexo da Estação Ferroviária de São Carlos, no Centro, junto ao viaduto principal de acesso da região central.

O projeto prevê a criação de uma nova praça de convivência para pedestres no entorno do viaduto, integrando o armazém diretamente à mancha urbana do município.

A elaboração técnica do projeto de restauração e iluminação é da Forlight Arquitetura Restauração e Iluminação, sob responsabilidade técnica da arquiteta Fabiana Purchio. A coordenação geral das diretrizes culturais é da Fundação Pró-Memória de São Carlos, presidida por Maria Isabel Alves Lima.

A arquiteta e responsável técnica, Fabiana Purchio, detalhou o uso de tecnologias modernas de mapeamento:

“A integração desses dados é que vai gerar o modelo do gêmeo digital, que é o modelo virtual do edifício com precisão milimétrica. Ainda teremos alguns meses até a finalização da modelagem 3D, a partir da nuvem de pontos, e o início da próxima etapa, que é o projeto das intervenções que requalificarão o imóvel histórico para o novo uso.”

Já a presidente da Fundação Pró-Memória de São Carlos, Maria Isabel Alves Lima, destacou a importância de devolver o patrimônio ao convívio diário dos são-carlenses:

“O objetivo é transformar o espaço em referência cultural e educativa, fortalecendo a identidade comunitária.”

Quem frequenta o Centro ou transita perto da Estação Ferroviária ganhará um novo ponto de encontro cultural, lazer e memória. O espaço de 100 metros de comprimento por 28 metros de largura deixará de ser um galpão fechado para abrigar:

  • Centro de Memória Ferroviária conectado ao acervo do Museu de São Carlos.
  • Salas de exposições, auditórios e espaços para oficinas culturais e educativas.
  • Acessibilidade universal integral: rampas, passarelas metálicas, banheiros adaptados, sinalização tátil e recursos de audiodescrição.
  • Nova área externa: praça pública de integração urbana para pedestres ao lado do viaduto.

Atualmente, as equipes trabalham no escaneamento e modelagem 3D (gêmeo digital). Após essa fase de projetos executivos, terão início as obras de intervenção física e readequação dos novos ambientes culturais.


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