A terapia CAR-T Cell, um tratamento inovador apoiado pelo Ministério da Saúde, alcançou 87,5% de resposta positiva contra o câncer do sangue na região e abre caminho para oferta gratuita pelo SUS até o fim de 2026.
Um estudo brasileiro de ponta no tratamento de cânceres do sangue alcançou resultados promissores através da terapia celular conhecida como CAR-T Cell. A pesquisa conta com um investimento robusto de R$ 100 milhões do Governo Federal, repassados via Ministério da Saúde.
Os dados preliminares apontam para a redução significativa ou o desaparecimento completo de tumores em pacientes que já haviam esgotado outras alternativas médicas de tratamento.
A tecnologia funciona por meio da reprogramação genética das células do próprio paciente:
- Coleta: As células de defesa (linfócitos T) são retiradas do sangue do paciente.
- Modificação: Em laboratório, elas são modificadas geneticamente para reconhecer especificamente as células cancerígenas.
- Reinserção: Multiplicadas, as células modificadas são injetadas de volta no organismo para combater a doença.
O método é voltado principalmente para casos específicos de linfoma não Hodgkin de células B e leucemia linfoide aguda de células B, especialmente quando quimioterapias ou transplantes anteriores não funcionaram.
O projeto de vanguarda é desenvolvido bem perto daqui, no Hemocentro de Ribeirão Preto, em uma parceria técnica com a Universidade de São Paulo (USP) e o Instituto Butantan.
A unidade regional já possui capacidade projetada para produzir até mil terapias por ano, o que impulsiona o Complexo Econômico-Industrial da Saúde e a autonomia tecnológica do Brasil.
Até o anúncio consolidado neste mês de junho, 25 pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) já haviam recebido o tratamento experimental. O cronograma oficial do estudo prevê alcançar um total de 81 pacientes atendidos até o final de 2026.
Humberto Tobé, especialista em gestão de saúde pública e integrante da equipe do ministro Alexandre Padilha, destacou o impacto do aporte federal:
“O investimento fortalece a pesquisa nacional e aproxima do SUS uma das tecnologias mais avançadas no tratamento do câncer. É um resultado que valoriza os pesquisadores brasileiros, coloca a região em posição de destaque e, principalmente, representa uma nova esperança para os pacientes e suas famílias.”
O principal reflexo para a população de São Carlos e de todo o país é a perspectiva de democratização do acesso à medicina de alta complexidade. Na rede privada, estima-se que um tratamento semelhante custe cerca de R$ 2,5 milhões por paciente, tornando-o inacessível para a imensa maioria das famílias.
Com a conclusão dos testes e a posterior obtenção do registro sanitário junto à Anvisa, o tratamento poderá ser incorporado ao SUS, sendo disponibilizado de forma 100% gratuita.
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