As bicicletas elétricas em São Carlos surgem como alternativa estratégica para quem enfrenta relevo acidentado e longas distâncias para trabalhar. Uma pesquisa recente desenvolvida na EESC-USP comprova que o uso de e-bikes pode ampliar significativamente o alcance a oportunidades de trabalho e integrações de transporte público.
Pesquisadores da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC-USP), em parceria com a Universidade de Twente (Países Baixos), concluíram um estudo focado nos impactos do uso de bicicletas elétricas na mobilidade urbana, equidade espacial e acesso ao mercado de trabalho. A tese de doutorado do engenheiro Thiago Vinicius Louro analisou milhares de trajetos de sistemas compartilhados, dados topográficos, infraestrutura cicloviária e estatísticas socioeconômicas.
Os resultados mostram que a e-bike aumenta a eficiência dos deslocamentos entre 20% e 38% em modelos baseados em tempo de viagem. Quando analisado o esforço físico exigido do trabalhador, os ganhos de eficiência sobem para uma variação expressiva de 265% a 532% em relação aos modelos convencionais.
O estudo foi concebido e coordenado no Campus 1 da USP em São Carlos, com desdobramentos práticos pensados diretamente para o cenário urbano local. Como desdobramento do projeto de extensão Cidade que Educa, alunos de graduação da USP projetaram em julho de 2026 uma proposta de ligação cicloviária conectando diretamente o Campus 1 da USP à UFSCar.
A rota planejada visa sanar gargalos históricos entre as duas maiores universidades da cidade, onde ciclistas enfrentam vias de trânsito rápido e trechos íngremes sem proteção adequada.
A pesquisa foi desenvolvida pelo pesquisador Thiago Vinicius Louro no Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Transportes da EESC-USP. O trabalho contou com a orientação do professor André Luiz Cunha, docente do Departamento de Engenharia de Transportes da USP São Carlos.
“A pesquisa mostra que as bicicletas elétricas podem ampliar de forma significativa o número de empregos alcançáveis por bicicleta, especialmente em cidades com grandes distâncias, relevo acidentado e infraestrutura de transporte desigual.”
— Thiago Vinicius Louro, pesquisador da EESC-USP.
“O doutorado do Thiago mostra o ganho possível em mobilidade com incentivo às e-bikes, além de ser um bom instrumento de política pública, pois aponta onde investir. Aqui no Brasil, o desafio é transformar potencial em acesso: isso passa por preço, porque a e-bike ainda é cara justamente para quem mais ganharia com ela, e por infraestrutura.”
— Prof. Dr. André Luiz Cunha, orientador do estudo na EESC-USP.
Para quem mora em bairros periféricos de São Carlos ou em regiões de morro acentuado, a bicicleta tradicional muitas vezes torna-se inviável devido ao desgaste físico antes da jornada de trabalho.
Com o suporte do motor elétrico, a e-bike reduz a fadiga corporal, permitindo percorrer trajetos de 8 km a 15 km com ritmo constante. Além disso, a e-bike facilita a chegada até pontos de ônibus e estações centrais sem que o trabalhador chegue exausto ao destino.
Segundo os pesquisadores, os principais gargalos são o alto custo de aquisição do veículo e a falta de infraestrutura cicloviária contínua e segura na maioria das cidades.
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